Comentário
A exemplo de Lula no caso do mensalão em 2005, quando Dilma
dirá que foi traída e pedirá desculpas aos brasileiros pelo escândalo do
mar de lama que entope os dutos da Petrobras, ameaçando tragar a maior
empresa do continente?
No mínimo, é o que se espera dela,
ex-ministra das Minas e Energia, ex-presidente do Conselho de
Administração da Petrobras, e presidente da República em final de
mandato.
Digamos que Dilma compete com Lula para ver quem foi mais feito de bobo por seus subordinados.
A
auxiliar de mais largo prestígio nos oito anos de Lula no poder, a
presidente eleita sem jamais ter sido, sequer, síndica de prédio, Dilma
foi surpreendida, assim como o seu mentor, pelo escândalo do mensalão – o
pagamento de propina a deputados federais para que votassem conforme a
vontade do governo.
Foi surpreendida de novo quando chefiou a Casa
Civil da presidência da República e ficou sabendo que um dos seus
funcionários confeccionara um dossiê sobre o uso de cartões corporativos
pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, dona Ruth.
Dilma pediu desculpas ao casal. O autor do dossiê conseguiu manter-se na órbita do serviço público.
Outra
vez, Dilma foi surpreendida pela suspeita de malfeitos praticados por
Erenice Guerra, seu braço direito na Casa Civil e, mais tarde, sucessora
no comando do ministério.
Na ocasião, Dilma estava em campanha
pela vaga de Lula. Para evitar danos à sua candidatura, Erenice pediu
demissão. Dali a dois anos, a Justiça a inocentou por falta de provas de
que roubara e deixara roubar.
Quase ao término do seu primeiro
ano de governo, batizada por assessores de “a faxineira ética”, Dilma
degolou seis ministros de Estado. Pesaram contra eles acusações de
corrupção publicadas pela imprensa.
De lá para cá, ministérios e
cargos públicos foram entregues por Dilma aos ex-ministros degolados ou a
grupos políticos ligados a eles. A “faxineira ética” baixou à
sepultura.
Por ora, Dilma está atônita e se recusa a falar sobre o mais novo escândalo que bate à sua porta.
Paulo
Roberto Costa, chamado de Paulinho por Lula, preso em março último pela
Polícia Federal como um dos cérebros da quadrilha acusada de roubar a
Petrobras, começou a contar o que sabe – ou o que diz saber. Em troca,
quer o perdão judicial para não ter que amargar até 50 anos de cadeia.
Dilma
sabe muito bem quem é Paulinho, nomeado por Lula em 2004 para a
diretoria de Abastecimento da Petrobras. Saiu dali só em 2012.
No período, compartilharam decisões, algumas delas, responsáveis por prejuízos bilionários causados à Petrobras.
Dilma
mandou diretamente na empresa enquanto foi ministra das Minas e Energia
e chefe da Casa Civil. Manda, hoje, via o ministro Edison Lobão, das
Minas e Energia.
Lobão foi citado por Paulinho como um dos
políticos integrantes da mais nova e “sofisticada organização criminosa”
da praça, juntamente com mais seis senadores, 25 deputados federais e
três ex-governadores.
A organização superfaturava licitações da
Petrobras e desviava dinheiro para um caixa que financiava campanhas de
políticos da base de apoio ao governo. Por suposto, nem Lula nem Dilma
sabiam disso.
O que é mais notável: entra campanha e sai campanha
da Era PT, e os adversários do governo são acusados por Lula e Dilma de
se valerem da Petrobras como arma política.
Pois bem, debaixo do nariz deles, camaradas deles usaram a Petrobras como arma para enriquecer.
Dilma e Lula - Foto Michel Filho /Agência O Globo
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