sexta-feira, 20 de abril de 2012

BOA NOVA: O PROCESSO DO MENSALÃO SERÁ VOTADO JÁ

POLÍTICA

Na última segunda feira, o Ministro Ayres de Brito, que foi eleito para presidir o STF, dirigiu-se corajosamente à sociedade: “o processo do mensalão será votado já, independentemente do calendário eleitoral”.
Bela afirmação de autoridade, coerência e decência. O Brasil precisava ouvir o que ouviu.
O mensalão é, sem dúvida, o maior escândalo da história republicana brasileira. Significou a compra de apoio parlamentar para o primeiro governo Lula e, junto com ela, a distribuição de dinheiro sujo para membros do partido do então Presidente.
O Ministério Público Federal realizou trabalho consciente e eficaz. Concluiu por denunciar 40 nomes à Suprema Corte. O Procurador-Geral daquele momento, Antônio Fernando, conferiu a tal agrupamento a denominação de “quadrilha” e indicou como seu chefe o ex-Ministro José Dirceu.
Contratados a peso de ouro, os advogados dos réus lançaram mão de todos os recursos possíveis e imagináveis para retardar a decisão. Pensavam, claramente, em levar à prescrição o máximo de crimes cometidos pelos mensaleiros. Supunham poder contar com uma lentidão que o STF lhes negará.
Inocente deve ser declarado inocente (não creio em “inocências” naquele processo quilométrico) e culpado deve ser declarado culpado. Inaceitável seria a não-decisão, o não-voto, a não-deliberação, a não-sentença.
A tradição do Supremo não poderia permitir que o escândalo fosse enterrado por decurso de prazo. Daí o orgulho que as palavras de Ayres de Brito provocaram nos brasileiros. Orgulho e esperança misturados. 
Arthur Virgílio é diplomata e foi líder do PSDB no Senado

quinta-feira, 19 de abril de 2012

ORLANDO CIDADE REIVINDICA MELHORIAS NO DEFESO DO PIRARUCU


Em seu pronunciamento à tribuna, o Deputado Orlando Cidade parabenizou o jornal A Crítica pelos seus 63 anos de existência e pela criação do Partido Trabalhista Nacional (PTN). O parlamentar também falou sobre as normas estabelecidas pelo IBAMA para o defeso do pirarucu que prejudicam o homem do interior. “Na essência da lei, o defeso dura seis meses. No Amazonas ele dura o ano inteiro, em virtude do risco de extinção resolveu proibir a pesca e captura do bacalhau da Amazônia por tempo indeterminado“, argumentou.
Para o deputado, o alto preço cobrado pelo quilo do pirarucu tem afastado o pescado da mesa do homem do interior. “O povo que mais consome peixe no Brasil é o caboclo amazônida”, disse.
Cidade afirmou que já viu várias vezes o Batalhão de Polícia Ambiental apreender vários quilos de pescado em Manacapuru. O parlamentar acredita que como a pesca do pirarucu pode ser feita apenas nas áreas de reserva, o preço estipulado pelo quilo desse produto ficou estabelecido em R$ 45, o que se configura numa verdadeira preciosidade para as pessoas menos favorecidos. “Como esse pessoal, o caboclo do interior, pode comer o piraruru com o preço estabelecido a R$ 45?”, indagou.
O deputado disse que irá solicitar a regulamentação da Lei Complementar nº 140, de 8 de Dezembro de 2011, que trata sobre o licenciamento ambiental. “Passados vários anos sem que esse peixe tenha sido capturado, é fundamental que a lei que normatiza sua pesca seja regulamentada, para que o homem do interior possa ter acesso, novamente, a essa iguaria em suas mesas”.
Orlando Cidade finalizou seu discurso afirmando que é necessário comercializar os peixes oriundos da região desde que seja de maneira sustentável.

HÓSPEDE PERIGOSA



Liége Farias é cronista literária

No tempo que Manaus era um ovinho, uma prima minha hospedou uma afilhada que quase a levou para o brejo.

Manaus, saindo da década de 60, todos praticamente se conheciam e algo provinciano pairava no ar. Cidadezinha pacata, boa de se viver, poucos carros, vizinhança amável e uma comunidade de muito respeito. Existiam os prostíbulos, lugares em que os homens procuravam as prostitutas. O mais famoso de todos era o "Lá hoje".
O povo de Manaus sempre idolatrou a cidade do Rio de Janeiro. Quem tinha um dinheirinho passava férias na Cidade Maravilhosa, a vida do carioca seduzia os amazonenses e quem possuia condições financeiras boas fazia questão que seus filhos estudassem no Rio. Só que a terrinha do Pão-de- Açúcar era sedutora por demais e a garotada divertia-se muito mais que estudava. Existiam outros perigos também.
No meio de tanto glamour, minha prima Zezé, toda animada, arrumava um quarto para receber toda contente, uma adolescente carioca da gema, filha de uma amiga de infância que fixou residência em Copacabana, a Princesinha do mar.
Zezé era casada e ainda não tinha filhos, receber a Lena para ela era uma novidade e tanto!
Lena chegou, lembro que a garota desembarcou no Aeroporto de Ponta Pelada, com um gingado no andar, cabelos soltos ao vento, bonita de machucar e um carioquês espetacular. Menina do Rio, terra do mar, do Maracanã, do Flamengo, terra da ousadia!
Ousadia, o Rio sempre foi ousado, sedutor, comtemporâneo demais, garotas de Ipanema, mocinhos bonitos que sempre viveram na Praia de Copacabana.
Leninha chegou e abafou! Apenas 14 anos e um mulherão para 500 talheres!
Zezé recebeu a filha da amiga com açúcar e com afeto. Fez creme de Cupuaçu, costela de tambaqui assada ao molho de maracujá,pato no tucupi com muito jambu...
Lá pelo décimo dia, Zezé farejou alguma coisa de podre no ar. Lena veio passar 20 dias com os Manauaras, entretanto já havia pintado e bordado, namorou vários caboquinhos e esnobava todos. 
Zezé, macaca velha, andava desconfiada que algo estava rolando entre a menina do Rio e o seu marido Neco. Neneco estava estranho, sempre de conversinha com a carioca, altas risadas, nunca foi de contar piadas mas resolveu ser um piadista militante só para sentir as gargalhadas da carioquinha. Zezé sentiu o sangue de índio e português que corria em suas veias, ferver. Essa não! Hospedando uma cobra, uma víbora, uma traíra? Neco, até então um marido exemplar, colocando as manguinhas de fora! Essa hóspede era o próprio diabo!
Depois que viu a cena constrangedora, Zezé foi até a Agência de Viagem e marcou para o dia seguinte o retorno da moça que veio de longe. Se não me falha a memória, a companhia era a Vasp. No outro dia, Zezé levou Leninha ao Aeroporto de Ponta Pelada e só saiu de lá quando viu a aeronave decolar. Depois, voltou para a vida cotidiana e nunca mais hospedou quem quer que seja em toda a sua vida!

DO HOSPITAL LULA E SARNEY DÃO AS CARTAS DA CPI


A mais de mil quilômetros de Brasília, a dupla formada pelo ex-presidente Lula e pelo presidente do Senado, José Sarney, está orientando a estratégia da CPI Mista do Cachoeira - que será criada nesta quinta-feira no Congresso, em sessão marcada para às 10h30m, pela vice-presidente do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES).

Nesta quarta-feira, Lula e Sarney, em tratamento no Sírio-Libanês, receberam mais um grupo de políticos do PMDB. O mesmo Lula que incentivou a criação da CPI, a despeito dos alertas do próprio PMDB e de setores do PT, deu uma ordem expressa: os dois maiores partidos da base devem se unir e usar a maioria para blindar o governo Dilma Roussef e não deixar que a CPI respingue no Planalto.
Estiveram nesta quarta-feira com Lula e Sarney no hospital o vice-presidente da República, Michel Temer, o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e o ministro da Previdência, Garibaldi Alves.
Na segunda-feira, Lula e Sarney — que já anunciou uma licença médica de 15 dias — receberam os líderes no Senado do PMDB, Renan Calheiros (AL), e do PTB, Gim Argelo (DF), e o do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), além do ex-líder Cândido Vaccarezza (PT-SP).
Segundo relato de um dos participantes da reunião desta quarta-feira, Lula, ao discutir a estratégia, mostrou preocupação com o direcionamento que a oposição pretende dar, priorizando as investigações na empreiteira Delta e no ex-ministro José Dirceu. Pediu que PT e PMDB usem a maioria para tratorar e impedir a aprovação de “requerimentos inconvenientes”.
— Temos que usar a maioria para evitar o que for inconveniente. Vocês têm que unir os partidos aliados, colocar gente de confiança nos postos-chave, e não podem deixar que a CPI desvie do foco e contamine a área do governo — orientou Lula, conforme relatou ao GLOBO um dos interlocutores da dupla. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012


POLIANTÉIA EM MEMÓRIA DE
HELIODORO BALBI

Durante a Febre
Heliodoro Balbi

Morrer! E ser lançado ao mar, no mar do Oriente...
No teu dorso senil, ondas do mar Vermelho!
E no deflúvio real do teu líquido espêlho
Ir a Morte arrastando o meu corpo inda quente...

Meu loiro sonho! minha pobre alma! meu velho
Tronco! A flutuarem dentro os juncais da corrente...
E debater-me em vão! Como em vão, loucamente,
No aranhól se debate um áureo escaravelho!

No alto do céu radioso o ocaso dos Oceanos...
Meu sangue a jorrar pondo vermelhas estrias
Na garganta de luz dos esqualos e goelanos...

E eu só! e eu mudo! a rodopiar em caracóes!
Tendo, através as rubras órbitas vazias.
A ilusão imortal de um combate de sóes...


SONHOS, MELODIA EXCELENTE DO GRANDE CANTOR E COMPOSITOR PENINHA

UMA “REVOLVADA” NA CABEÇA!


Carlos Costa é jornalista e escritor 
Faca eu chamava de “carteira de identidade”; revólver 38 era “CPF”; Bereta de pente, a chamava de “identificação policial”.
 E assim  nominava nas crônicas que escrevia e publicava na década de 80, no Jornal A NOTÍCIA, em plena época da Censura Militar.
 Relembrei dessas coisas ao visitar um delegado de polícia e ver todos esses “instrumentos de trabalho” de bandidos sob a mesa dele, dentro de sacos plásticos e devidamente identificados.
 Quando segurava a “carteira de identidade” na mão, entrei em um túnel do tempo, relembrando um fato engraçado quando escrevia e publicava crônica ao lado dos excepcionais cronistas Chico Anysio e Guido Fidellis, este funcionário da Petrobras e também cronista de ocasião.
 De tanto dar apelido aos “instrumentos de trabalho” e devido à censura da Polícia Federal, “bravamente” representada por Paraguassu Oliveira, decidi dar nomes aos personagens que também passei a criar. Dei vida ao personagem “Eleutério”, um semi-analfabeto, casado com uma socióloga e pai de oito filhos, pretendente a se “dar bem na vida, como político”, um criador de confusões, entrando em festas de carnaval sem pagar por “possuir imunidade parlamentar” e uma “identidade” na cintura, enfim.
 Era a maior farra o que eu fazia com as crônicas hilárias que escrevia usando como personagem, o “Eleutério”, para que a censura e o censor não percebessem: como candidato a vereador, já apresentava projetos de lei para pagar a galopante dívida externa  de Delfin Neto, o rombo da previdência na gestão de outro Ministro, enfim, ele tinha solução para tudo, mesmo ainda como simples pré-candidato  a vereador! Fiz até ele ser atendido pelo SUS para criticar o Governo! Era demais o “Eleutério”! Levava-o para onde pretendia  e o envolvia nas mais loucas idéias e confusões mas, ao final, ele sempre se dava bem!
 Um dia, descrevendo crônica em que narrava mais uma de suas inúmeras, famosas e desastradas confusões, esqueci a palavra “coronhada” e datilografei a palavra “revolvada”, na máquina Olivetti, línea 98 que possuía na redação. Depois das confusões e sempre precisava de socorro médico e era sempre atendido por amigos, no único hospital público que existia em Manaus naquela época, o Getúlio Vargas.
 A crônica passou pelo feroz censor, pelo revisor da redação mais não conseguiu passar pelo voraz leitor dentro do próprio jornal A NOTÍCIA, Wilson, gráfico, que colocou a palavra “revolvada” entre aspas, isso na época da linotipo, quando tudo tinha que ser reescrito e as letras caiam de um balcão, uma a uma, até formarem as palavras. E era Wilson quem a digitava minhas crônicas.  
 E o pior é que quando desci à gráfica onde era impresso o jornal o Wilson queria a todo custo me conhecer e fui  aos linotipistas como eram chamados esses profissionais.Wilson, era meu primeiro leitor e nem eu sabia disso e viera me pedir desculpas por ter colocado aspas na palavra “revolvada”.
 Obrigado companheiro Wilson, onde quer que você esteja trabalhando hoje.