Pesquisas cientificas têm comprovação que a ausência de convívio social causa efeitos negativos na capacidade cognitiva geral. Atividades sociais e mentais são fatores importantes para a saúde mental...
Em livro, testemunhas revelam que líder líbio usava estupros para manter vivo seu regime
Beduíno. O ditador líbio fotografado em frente a uma de suas tendas, erguida para receber líderes africanos em Trípoli: abusos em sérieAP/10-4-2011
PARIS — Numa manhã de abril de 2004, em Sirta, no litoral mediterrâneo da Líbia, a jovem Soraya, então com 15 anos, soube em sala de aula, por seu professor, que fora escolhida para entregar flores ao líder do país, Muamar Kadafi, na visita do presidente à escola de sua cidade natal. Superado o choque, mas ainda tomada pela excitação, Soraya vestiu para a ocasião especial o traje vermelho tradicional líbio - túnica, calça, véu e um pequeno chapéu. Ansiosa, se perguntava como saudar o grande Guia da Revolução: beijar sua mão? O que dizer? Deveria recitar algo?
Chegado o tão esperado momento, tudo se passou muito rápido. Kadafi recebeu o buquê de flores, examinou-a com o olhar de alto a baixo, e passou a mão na cabeça dela. O anódino gesto, ela foi saber mais tarde, tratava-se de um sinal ao seu entourage. No dia seguinte, por volta das 15h, três guardas femininas do chamado Comitê da Revolução, uma delas vestindo uniforme militar e exibindo uma pistola na cintura, foram buscar a jovem no salão de cabeleireiro de sua mãe.
Sem saber, Soraya acabara de se tornar uma das escravas sexuais de Muamar Kadafi, prisoneira do subsolo de Bab al-Azizia, a sede do governo, na capital, Trípoli. Sua história é descrita em um cru e longo depoimento a Annick Cojean, repórter especial do jornal “Le Monde”, no recém-lançado livro “O harém de Kadafi” (que será lançado no Brasil pela editora Verus na semana que vem). A obra traz uma detalhada investigação sobre a utilização do sexo e do estupro como arma de guerra pelo ditador líbio em seus anos no poder.
Em sua apuração, na qual encontrou outras vítimas sexuais e também integrantes do regime kadafista, a autora revela como o autoproclamado Guia da Revolução estuprava jovens virgens e depois as mantinha por anos sob tutela; sodomizava jovens homens de sua guarda pessoal; recrutava meninas do exterior; se empenhava em seduzir advogadas, diplomatas, mulheres e filhas de seus ministros - e mesmo de outros chefes de Estado africanos.
Soraya foi estuprada, desvirginada, golpeada com violência, ameaçada, forçada a fumar haxixe ou a cheirar cocaína com Kadafi antes de ser submetida a suas sevícias. De seu quarto só podia sair para os aposentos do Guia, quando requisitada, ou para fazer as refeições no refeitório do subsolo, onde estavam alojadas outras jovens do harém presidencial.
“Muamar Kadafi destruiu a minha vida”, resume a jovem em seu relato.
Annick Cojean, que desembarcou na Líbia para inquirir sobre o papel das mulheres líbias nas revoltas contra o governo, acabou descobrindo os horrores da alcova de Bab al-Azizia e encontrou Soraya pela primeira vez em outubro de 2011, dias após a execução de Kadafi pelos rebeldes.
“Descobri que centenas de jovens foram sequestradas por uma hora, uma noite, uma semana ou por anos, e obrigadas, pela força ou pela chantagem, a se sujeitar às fantasias e violências sexuais de Kadafi. Que pais e maridos trancavam suas filhas e mulheres para preservá-las do olhar e da cobiça do Guia. Descobri que o tirano, nascido numa família de beduínos muito pobres, governava pelo sexo, obcecado pela ideia de possuir um dia as mulheres e as filhas de ricos e poderosos, de seus ministros e generais, de chefes de Estado e de soberanos”, escreve.
Soldados recebiam viagra
As célebres “amazonas” de Kadafi, acobertadas no chamado “serviço especial” do governo, serviam à propaganda revolucionária, mas eram na verdade objetos sexuais de seu líder. E a utilização do estupro excedia os limites do bunker presidencial.
Numa prisão de Misurata, Annick entrevistou dois soldados kadafistas, de 22 e 29 anos.
“Por vezes estuprávamos toda uma família. Meninas de oito, nove anos, jovens de 20 anos, sua mãe, às vezes diante de seu avô. Elas gritavam, nós batíamos forte. Mas o líder da tropa insistia: ‘Violem, batam e filmem! Vamos enviar isto para os homens delas. Sabemos como humilhar esses imbecis’”, conta um deles.
- Vimos isso de forma semelhante no Kosovo, no Congo, mas na Líbia era algo muito bem orquestrado. Era tudo filmado, havia distribuição de Viagra para os soldados, com ordens vindo de cima. O sexo era, para Kadafi, uma forma de governar o país - afirma Annick.
Soraya, hoje aos 23 anos, é uma jovem desamparada, aniquilada por seu passado, renegada pela família e ameaçada - tanto por kadafistas como pelos ex-rebeldes agora no poder. A morte do Guia foi, ao mesmo tempo, um alívio e uma frustração. Seu desejo era o de que fosse julgado e condenado por todos os seus crimes, incluindo os sexuais. E para isso estaria disposta a revelar sua identidade e testemunhar diante de uma corte penal internacional. Mas o destino decidiu de outra forma.
- Soraya foi extremamente corajosa em contar a sua história. Pensava que, depois dela, muitas mulheres falariam também. Mas não foi o que aconteceu. O peso do tabu em torno disso, nesta sociedade extremamente conservadora, é enorme. Tidas como prostitutas, são ameaçadas pelos extremistas religiosos, e também por revolucionários zelosos, que sem piedade as condenam por terem, de uma certa forma, pertencido à gangue de Kadafi. Também por isso decidi fazer este livro (que será lançado na Líbia no final de outubro, em árabe), para que essas mulheres, impedidas de falar, possam ser vistas como devem ser: como vítimas, e não como culpadas - diz a autora.
Em troca do apoio do PDT nacional a Fernando Haddad em São Paulo, o ex-presidente Lula gravou uma declaração de apoio ao prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), candidato à reeleição. Preso na Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, em 2010, Góes passou dois meses na Penitenciária da Papuda em Brasília.
No primeiro turno, Lula não se manifestou sobre a campanha no Amapá. Agora, entretanto, ofereceu-se para uma missão espinhosa, que até o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) – antigo aliado de Roberto – tratou de recusar.
Há dois anos, em discurso inflamado, Lula usou a ação da Polícia Federal no Amapá, que resultou na prisão de Góes, como exemplo do combate implacável de seu governo à corrupção. Quando a Mãos Limpas chegou ao noticiário nacional, Lula elogiou publicamente a PF e bradou que bandidos não ficariam impunes em seu governo.
No mesmo descompromisso de sempre com os fatos, o ex-presidente diz agora que Góes, a quem chama carinhosamente de Roberto – e que faz campanha sob restrição judicial – é depositário da confiança e dos sonhos dos cidadãos de Macapá.
É preciso votar em Roberto, diz ele, para ajudar a construir “um Brasil forte, cheio de vida, onde as pessoas caminham com confiança cada vez maior na realização de seus
Mudança atinge brasileiros das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e TO.Relógio deve ser adiantado em uma hora até 17 de fevereiro de 2013.
O horário de verão começa à meia-noite deste sábado (20) em algumas regiões do país. Os relógios devem ser adiantados em uma hora quando os ponteiros marcarem 0h nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além doTocantins.
A mudança afetará o Distrito Federal e 11 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina,Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins.
O horário de verão termina no dia 17 de fevereiro de 2013.O objetivo é proporcionar uma economia de energia nos horários de pico. A mudança no horário ajuda a reduzir o consumo em cerca de 5% no período. A economia deve chegar a R$ 280 milhões.
As regiões Norte e Nordeste não aderem ao horário de verão.
Pesquisa Ibope aponta que Virgílio teria 68% dos votos válidos, excluindo nulos e brancos
Fernanda Krakovics, O Globo
O candidato do PSDB à prefeitura de Manaus, Arthur Virgílio, aparece disparado na frente, com 61% das intenções de votos, na primeira pesquisa Ibope/Rede Amazônica divulgada no segundo turno das eleições.
Sua adversária, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), tem 29%. No primeiro turno o tucano teve 40% e ela, 19%. Na tentativa de alavancar a candidatura da comunista, a presidente Dilma Rousseff participará de um comício em Manaus na próxima segunda-feira.
Nesta semana, Dilma recebeu o governador Omar Aziz (PSD), aliado da senadora, e anunciou liberação de R$ 276 milhões para obras na capital amazonense. Até agora, no entanto, esses esforços não têm mostrado resultado.
O ex-presidente Lula foi a Manaus no primeiro turno e subiu no palanque de Vanessa. Sua intenção era repetir o desempenho de 2010, quando trabalhou forte para a comunista derrotar Virgílio na disputa para o Senado.
Remando contra a maré, a campanha da senadora tenta desconstruir a imagem do tucano, que, antes de ser um dos mais aguerridos líderes de oposição ao governo Lula, foi prefeito de Manaus, entre 1989 e 1993.
Também tenta colar no adversário a pecha de continuidade da gestão Amazonino Mendes (PDT), atual prefeito, que amarga altos índices de rejeição. O PDT apoia Virgílio, embora não esteja coligado, mas Amazonino, pessoalmente, não declarou seu voto.
Diante dos 20 pontos de diferença registrados no primeiro turno, a campanha da senadora subiu o tom e apelou para ataques a Virgílio, inclusive no horário eleitoral gratuito. No programa de televisão que foi ao ar anteontem, são exibidas imagens de favelas de palafitas. “Essa é a imagem de um passado triste que o time de Arthur deixou para a nossa cidade”, diz o locutor.
Em outro momento, Vanessa visita uma dessas comunidades construídas sobre igarapés, e um morador dá o seguinte depoimento: “Você veio aqui, não é qualquer um (que vem). Arthur, não sei por onde ele anda. Você está fazendo um esforço ao visitar as comunidades mais carentes aqui de Manaus.”
Outro ponto explorado pela candidata do PCdoB é o famoso embate entre Virgílio e os camelôs quando era prefeito. A campanha da senadora causou polêmica nesta semana ao reconstituir os “rapas” ocorridos na administração do tucano, para usar na televisão, e lançou o e-mail eu@apanheidoartur.com para receber relatos.
Lula continua a não se incomodar em colar sua imagem a aliados de conduta questionável. Deve ser conselho de José Dirceu, que enxerga nas urnas uma resposta para o mensalão.
Lula gravou um depoimento pedindo votos para o prefeito de Macapá, Roberto Góes, candidato à reeleição. Góes foi preso pela Polícia Federal, em 2010, numa operação que apurou um esquema de fraudes em licitação.
Os comícios do prefeito não podem passar das 22h, mas não por causa da concorrência com a novela, mas porque ele está proibido de permanecer em certos lugares públicos depois desse horário, consequência de um acordo como Ministério Público.
Nada disso desencorajou Lula, que no programa de TV de Góes exibido hoje, recomendou: