sábado, 4 de agosto de 2012
JOAQUIM BARBOSA REBATE DECLARAÇÕES DE MARCO AURÉLIO
O Globo
O relator do processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, rebateu nesta sexta-feira declarações do ministro Marco Aurélio Mello sobre a discussão em plenário com o revisor Ricardo Lewandowski. Marco Aurélio disse que “faltou urbanidade” ao relator e o chamou de desleal. Barbosa respondeu que “urbanidade e responsabilidade” não se excluem :
- Em qualquer atividade humana, urbanidade e responsabilidade são qualidades que não se excluem. Mas, às vezes, a urbanidade presta-se a ocultar a falta de responsabilidade. A propósito, é com extrema urbanidade que muitas vezes se praticam as mais sórdidas ações contra o interesse público – disse o relator.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
O PEIXEIRO, A FILHA E A “PIKITA”!
| Carlos Costa é jornalista e escrito, além de Assistente Social |
Um tabuleiro em forma quadrada ou retangular e uma rodilha para apoiá-lo sobre a cabeça. Era assim que o “Peixeiro” passava aos gritos na rua a plenos pulmões: “peixeiro!! peixeiro, quem vai querer peixe fresquinho?!!. Logo atrás, vinha sua filha, descompensada, imitando-o: “ “pikita, pikita, quem quer pikita, quem vai querer pikita fresquinha?!!”. Seu pai mandando-a entrar, voltar para casa e não ficar se expondo daquela maneira! Mas a filha insistia: “quem vai querer pikita, olha a pikita fresquinha!”.
Geralmente o peixeiro, além do peixe fresco, vendia também o cheiro verde, pimenta e o limão, complementos indispensáveis para qualquer preparo que se queira fazer um peixe! E sua filha continuava gritando: “quem vai querer pikita, quem vai querer pikita”... Os dois passavam na rua, quase sempre juntos, o pai na frente com o tabuleiro na cabeça e sua filha logo atrás, mexendo no vestido e gritando!
O peixeiro morava na mesma rua, no bairro da Betânia e todos os dias colocavam um tabuleiro de mais de 100 quilos de peixes variados na cabeça, sem quaisquer dificuldades, apoiado apenas na rodilha. Assim, passava na Avenida em que morei, anunciando-os aos gritos: “Peixeiro! Peixeiro! Quem vai querer peixe fresquinho!”. Sua filha, de uns 14 anos, a uns 10 metros de distância, cabelos desalinhados, saia longa à altura dos joelhos, imitando-o, também gritava: “pikita, pikita, quem vai querer pikita fresquinha”! O pai olhava-a bravo, mas a filha nem se importava e continuava com seu ritual: “pikita, quem vai querer...!”. E a gurizada da rua gritando: “doida, doida, lá vai o peixeiro e sua filha doida!”
Minha mãe, sempre que tinha algum dinheiro, comprava algum peixe fresquinho na porta de casa, tambaqui, pacu, tucunaré, jaraqui e outros tipos que estivessem em época de piracema. A filha, sempre mantendo uma certa distância, acompanhava-o.
Na década de 70, não havia a consciência de preservação ecológica que existe nos dias de hoje, nada se falava em defeso porque na fatura de peixe, quanto mais ova tivesse, melhor para vendê-lo e mais caro seria. A ova do jaraqui, por exemplo, dava um gostoso refogado frito, com cebola um pouco de cebola e tomate. Era uma delícia! Eu gostava e minha mãe preparava muito bem!
Com o progresso, muitas profissões importantes no processo de desenvolvimento de comunidades foram desaparecendo: peixeiro, sapateiro, leiteiro, catraieiro, cascalheiro, offce-boy, engraxate, reparador de roupas e muitas outras. Contudo, doença mental, continua existindo nos dias de hoje! Infelizmente!
Mas o que quero contar não é sobre o peixeiro em si, um moreno forte, musculoso. Mas sobre a sua filha que o esperava sair de casa e corria pela rua gritando: “quer pikita”, “quer pikita”, imitando-o, no mesmo tom. Por que será que do peixeiro, só sobraram mesmo as doenças mentais de sua filha?
Dez anos mais tarde, conheci o médico psiquiatra Rogélio Casado, excelente profissional que, juntamente com a enfermeira Margarida Campos e outros companheiros, deram início a um movimento para o tratamento digno dos doentes mentais, sem internação, em ambulatórios. Se eu já o tivesse conhecido naquela época, talvez a filha do peixeiro não saísse atrás de seu pai gritando, “pikita, quem vai querer pikita”!
PENSAMENTO DA SEXTA-FEIRA
As esquerdas brasileira fora do poder são festivas; no poder, são aquisitivas ( Roberto Campos)
GURGEL FALTOU OU NÃO COM O SEU DEVER?
Por Ricardo Noblat

Foto: Ricardo Noblat
Prevaricar quer dizer faltar aos deveres do seu cargo. Ou proceder mal. Ou incorrer em falta.
Roberto Gurgel, Procurador Geral da República, poderia ter arguido a suspeição de Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, para evitar que ele participasse do julgamento do mensalão.
Dias Toffoli foi advogado do PT, assessor do ex-ministro José Dirceu e Advogado Geral da União nomeado por Lula. Em 2006, depois de os réus do mensalão terem sido denunciados, ele escreveu em petição à Justiça Eleitoral que o mensalão não fôra comprovado.
Gurgel poderia também não ter arguido a suspeição de Toffoli por não ver motivo para fazê-lo.
O que ele não poderia era dizer, como disse ontem a um grupo de jornalistas:
- Se tivesse pedido o afastamento dele atrasaria o julgamento.
Quer dizer: o que pesou para evitar o que muitos esperavam de Gurgel foi a preocupação dele em não atrasar o julgamento.
Para não atrasar, Gurgel concorda com a participação de um ministro que ele indiretamente admite considerar suspeito.
Prevaricou!
À BEIRA DE UM ATAQUE...
Ilimar Franco,
Irritado com uma declaração à imprensa do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-RR), o ministro Gilmar Mendes (STF) ligou na segunda-feira e avisou: “O senhor não me conhece, sou um homem de enfrentamentos.” O senador ouviu os protestos e respondeu: “Ministro, muito prazer. Eu também não costumo fugir de uma boa briga”. Gilmar bateu o telefone.
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