domingo, 9 de setembro de 2012

A TROPA ELEITORAL DE CHÁVEZ

Presidente indica militares para disputar principais governos, frustrando partidários civis
O Globo
Ciente de que está diante de seu maior desafio eleitoral desde que chegou ao poder, em 1999, o presidente Hugo Chávez decidiu acentuar o perfil militarista do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), ampliando espaços de poder em mãos de antigos aliados — muitos dos quais foram seus colegas de armas nos levantes militares de fevereiro e novembro de 1992, estiveram presos e foram indultados.
Nas últimas semanas, o líder bolivariano, que daqui a menos de um mês tentará conquistar seu terceiro mandato consecutivo, designou unilateralmente dez dos 24 candidatos que participarão das eleições para governador do próximo mês de dezembro, dos quais oito são oficiais, da ativa e reformados, do Exército e da Aeronáutica.
Num cenário eleitoral incerto, com pesquisas diferentes apontando desde uma vitória folgada de Chávez até um triunfo de seu adversário, Henrique Capriles Radonski, o chefe de Estado optou por homens das Forças Armadas para enfrentar uma nova queda de braço com a oposição.


 —O presidente sabe que seu futuro depende dos votos e das botas —afirmou ao GLOBO o historiador Domingo Irwin, estudioso da História militar venezuelana. Segundo ele, “dentro do PSUV convivem os golpistas da década de 1990 e setores esquerdistas que se encantaram com o socialismo do século XXI. Mas está claro que os conspiradores que atuaram com Chávez há 20 anos são hoje a coluna vertebral do partido do governo, e o presidente precisa deles, entre outros motivos, porque as conspirações são uma constante nas Forças Armadas de nosso país”.

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